Two people who clearly know each other well in village church square after mass

rimas com nomes portugueses numa canção: de Conceição a Guilherme

Por Songive songwriting team — Compositora da equipa Songive.

Atualizado 8 min de leituraGuias

Alguns nomes portugueses cantam sozinhos. Outros pedem o diminutivo que a família usa à mesa. Depois de muitas canções, reparámos em padrões que vale a pena conhecer antes de escrever o briefing.

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Uma canção que fizemos para um aniversário — pode ouvir aqui:
Criar a canção

Rimas com nomes portugueses funcionam melhor quando se usa o nome que a família diz todos os dias, não o que está no cartão de cidadão. Os nomes terminados em -ão rimam depressa demais; os diminutivos como Zé, Tó ou Lena entram no ritmo com naturalidade; e nos nomes duplos vale escolher a metade que soa à pessoa. É o que vemos canção após canção.

O que é escrever à volta de um nome: é montar a melodia e a letra em torno de como o nome soa quando dito em voz alta — o acento, as sílabas, o jeito familiar. O objetivo não é forçar uma rima bonita. É que, ao ouvir, a pessoa reconheça que a canção é mesmo dela.

Que nomes cantam com facilidade, e quais pedem cuidado?

Os nomes de duas sílabas com vogal clara no fim entram quase sempre bem. Pensamos em Leonor, Matilde, Guilherme, Carolina, Rodrigo — soam redondos, acentuam-se sem esforço e deixam espaço para a frase respirar à volta deles. Dos muitos pedidos que recebemos, diria que mais de metade traz nomes assim, dos que aparecem perto do topo das listas do IRN nos últimos anos. (Vale a pena espreitar o ranking mais recente antes de assumir seja o que for — muda.)

O cuidado maior é com as terminações em -ão. João, Conceição, Sebastião, Brandão: rimam de imediato com coração e com canção. É tentador. E é precisamente por ser tão fácil que soa a lugar-comum. Numa boa parte dos rascunhos com nomes em -ão, a primeira versão caía nessa rima óbvia, e quase sempre a trocávamos. Usamos essa rima uma vez, se usarmos, e de propósito — nunca por preguiça.

E quando o nome é difícil de encaixar?

Quando o nome resiste, a solução costuma ser o diminutivo. É aqui que uma canção portuguesa ganha ou perde verdade.

O nome registado ou o que a família usa de verdade?

Quase sempre o que a família usa. Aprendemos isto cedo: a canção que diz «José» para um homem a quem toda a gente chama Zé soa a convocatória de tribunal. O carinho está no diminutivo.

A lista que mais nos chega à mesa:

  • Zé por José, Tó por António, Quim por Joaquim
  • Chico por Francisco, Mané por Manuel
  • Xana por Alexandra, São por Conceição, Lena por Helena
  • apelidos de família que ninguém traduz — Mimi, Titó, Né

Estes encurtamentos têm uma vantagem musical: são curtos e acentuados, por isso caem bem no fim de um verso sem arrastar. Tó, Zé e São praticamente se cantam sozinhos.

Cuidado diferente com as formas em -inho e -inha. Joãozinho, Ritinha, Aninhas funcionam lindamente para uma criança ou para um neto pequeno. Para um adulto, e sobretudo num momento sério — bodas, reforma, uma despedida —, podem soar a brincadeira. A não ser, claro, que seja mesmo assim que lhe chamam há cinquenta anos. Nesse caso, mantemos.

Há ainda o hábito do Norte de pôr o artigo antes do nome: o Zé, a Maria, o Tó. Numa letra, esse pequeno «o» ou «a» faz a canção soar a conversa de cozinha em vez de dedicatória formal. Quando o briefing vem com esse detalhe, guardamo-lo.

Nomes duplos: qual metade é que canta?

Escolha a metade que a família diz. É a regra mais simples e a mais ignorada.

Maria João, José Carlos, Ana Rita, Maria Leonor — em Portugal os nomes duplos são regra, não exceção. Mas quase ninguém é chamado pelos dois no dia a dia. Uns são «a Maria João» inteira, outros são só «a Rita», outros respondem a «Zeca». Meter os dois nomes em cada verso engrossa a letra e ninguém se reconhece lá dentro.

O que fazemos: usamos o nome inteiro uma vez, logo ao início, para ninguém duvidar de quem se trata. Depois passamos à metade de todos os dias. Assim a canção tem a formalidade do nome completo e o calor do nome curto.

A canção que deixámos aqui em cima começou de três linhas que uma filha nos mandou sobre a mãe — e a decisão mais importante dessa letra foi essa mesma: qual das duas metades do nome entrava no verso. Escolhemos a que ela usava ao telefone. Faz toda a diferença ouvir e saber, sem hesitar, que é mesmo para nós.

Se anda a pensar no que escrever antes de começar, este texto sobre o que incluir num briefing ajuda a organizar as ideias.

Songive ao lado de outras formas de dar uma canção

Antes da tabela, uma nota. Algumas pessoas gravam elas próprias uma versão; outras montam uma playlist; há quem recorra a ferramentas em que o nome entra como aparece no documento, sem o diminutivo da família. Todas têm o seu lugar. A diferença, quando se trata de nomes portugueses, está em quem repara que «Zé» não é «José» e que a Maria João é só «Rita» para os amigos. É nesse detalhe que a canção deixa de ser genérica.

Trata o diminutivo Lida com nomes duplos Em português de Portugal Rapidez
Songive Sim, usa o nome da família Escolhe a metade certa Sim, de raiz Dias
Songfinch Depende do artista Variável Sobretudo em inglês Semanas
Ferramentas de fazer-você-mesmo Só se escrever assim Como escrever Variável Minutos, sem revisão
Playlist Não Não — Imediata
Versão gravada por si À sua vontade À sua vontade Sim Depende de si

O que pôr sobre a pessoa para o nome soar bem

  1. O nome que lhe chamam em casa. Não o do documento — o da cozinha. Se é Zé, Lena, Tó ou Mané, diga-nos. Exemplo: «É o Quim, ninguém lhe chama Joaquim desde o liceu.» É a informação que mais muda a letra.
  2. No caso de nome duplo, qual metade. Diga qual é que as pessoas usam. Exemplo: «Chama-se Maria João, mas toda a gente diz só Maria João por inteiro — ela não gosta de ser só Maria.» Esse cuidado evita uma canção desencontrada.
  3. Se levam artigo antes do nome. Sobretudo no Norte. Exemplo: «Lá em casa é sempre o Tó, com o ‘o’ à frente.» É um pormenor pequeno que deixa a letra com som de família.
  4. Se há diminutivos a evitar. Alguém que detesta ser tratado por Ritinha aos quarenta anos. Exemplo: «Nada de Aninhas, ela acha infantil — prefere Ana.» Dizer o que não serve poupa-nos uma versão inteira.

Perguntas frequentes

Os nomes terminados em -ão funcionam numa canção?▾

Funcionam, mas com moderação. João, Conceição ou Sebastião rimam de imediato com coração e canção, e por isso soam a lugar-comum se abusarmos. Usamos essa rima no máximo uma vez, e de propósito, preferindo construir o verso à volta do som do nome de outra maneira.

Devo dar o nome do documento ou o diminutivo?▾

O diminutivo que a família usa todos os dias. Uma canção que diz «José» para um Zé ou «Alexandra» para uma Xana soa distante. O carinho vive na forma curta, e é essa que faz a pessoa reconhecer-se na letra.

E se a pessoa tem nome duplo, como Maria João?▾

Dizemos o nome inteiro uma vez e depois usamos a metade que os próximos dizem. Em Portugal quase ninguém é chamado pelos dois nomes no dia a dia, por isso escolher a parte certa é essencial para a canção soar à pessoa certa.

As formas como Ritinha ou Joãozinho servem para adultos?▾

Só se for mesmo assim que lhe chamam há anos. Para crianças e netos pequenos soam lindamente; para um adulto, num momento sério como umas bodas ou uma reforma, podem parecer brincadeira. Se houver dúvida, indique-nos no briefing.

O artigo antes do nome, como «o Zé», entra na letra?▾

Entra sempre que fizer parte da fala da família, hábito comum no Norte. Esse pequeno «o» ou «a» dá à canção som de conversa de cozinha em vez de dedicatória formal, por isso guardamos esse detalhe quando vem no briefing.