bodas de ouro dos pais: o briefing dos filhos, linha a linha

bodas de ouro dos pais: o briefing dos filhos, linha a linha

Por Inês CarvalhoCompositora na equipa da Songive

Atualizado 8 min de leituraOcasiões

Uma canção para as bodas de ouro dos pais nasce de um briefing curto que os filhos escrevem sobre o casal. Pegámos num que nos chegou de três irmãos e abrimo-lo linha a linha. O que ficou. O que perguntámos de volta. O que virou refrão.

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Uma canção que fizemos para uma celebração de família — ouve com calma:
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Uma canção para as bodas de ouro dos pais nasce de um briefing curto que os filhos escrevem sobre o casal, e a partir daí fazemos a letra e a canção acabada. Não precisas de saber escrever versos. Precisas de contar quem eles são. Abaixo está um briefing que nos chegou de três irmãos, com os nomes trocados, e o que fizemos com cada linha.

O que é um briefing de bodas de ouro: algumas frases que descrevem o casal, o que os manteve juntos cinquenta anos e o dia em que a canção vai tocar. É a matéria-prima. Nós tratamos do resto.

O briefing que chegou

Os três irmãos escreveram-nos isto para a missa de bodas e o almoço de família que se seguiu. Deixámo-lo quase como veio.

«Os nossos pais chamam-se Fernando e Conceição. Casaram em Junho de 1976, na igreja da aldeia dele, em Trás-os-Montes. Emigraram para França pouco depois, ele na construção, ela a fazer limpezas. Voltaram em 1989 e abriram uma mercearia no bairro, que ainda têm. Somos três: a Sílvia, o Nuno e a Marta. Ele fala pouco. Ela é que manda, mas faz de conta que é ele. Vai haver renovação de votos na missa e depois almoço. Queríamos uma canção que os fizesse chorar sem ser piegas.»

É um bom briefing. Curto, concreto, e diz-nos onde a canção vai tocar. Vamos por partes.

«Casaram em Junho de 1976, na igreja da aldeia dele»

A primeira coisa que uma data assim nos dá é um começo com lugar. Não abrimos com «há cinquenta anos dois corações». Abrimos na igreja da aldeia, em Junho, com o calor e o pó de uma terra de interior. O ouvinte que estava lá reconhece o sítio de imediato.

A aldeia dele também nos disse uma coisa sobre eles: ela saiu da sua terra para ir viver na dele. Isso entrou na letra sem ser dito de forma pesada — só uma linha sobre deixar uma casa por outra.

«Emigraram para França. Ele na construção, ela a fazer limpezas»

Os anos de emigração são o coração desta história, e perguntámos mais. Quisemos saber uma coisa banal do dia-a-dia deles em França: o que comiam ao domingo, se falavam da aldeia, quando é que puderam mandar dinheiro para casa.

A Marta respondeu que a mãe guardava as moedas numa lata de bolachas e que o pai só telefonava aos pais dele uma vez por mês, porque a chamada era cara. Aquela lata de bolachas valia mais do que dez adjetivos. Ficou na canção. É o tipo de pormenor que faz uma mesa inteira olhar de lado uns para os outros.

«Abriram uma mercearia no bairro, que ainda têm»

A mercearia deu-nos o presente. Cinquenta anos não são só o passado — são também o balcão onde os dois ainda estão de manhã. Escrevemos o refrão em torno disso: as mãos que carregaram tijolo em França e agora pesam laranjas e cumprimentam os vizinhos pelo nome.

Se quiseres perceber como pensamos uma letra deste tipo antes de a escrever, temos um texto sobre como se faz uma canção personalizada que segue o mesmo raciocínio.

«Ele fala pouco. Ela é que manda, mas faz de conta que é ele»

Esta foi a linha de que mais gostámos, e a que mais trabalho deu. Um casal descrito assim não pode ter uma letra igual para os dois. Demos-lhe a ele os versos curtos e as pausas; a ela, as frases que decidem. A canção imita a maneira como eles se dão.

�É também aqui que evitámos a piegice que os filhos temiam. O humor de «faz de conta que é ele» tira o peso a tudo. Uma canção de bodas de ouro que se leva demasiado a sério cansa antes do refrão.

«Renovação de votos na missa, e depois almoço»

Saber onde a canção toca muda-lhe o corpo. Para a missa e a renovação de votos pedimos um andamento contido, que caiba entre a bênção e o almoço, sem competir com o padre. É o oposto de uma canção de festa.

Quase todas as famílias portuguesas fazem, ao almoço, o slideshow de fotografias antigas com música triste por baixo. A nossa canção não quis ser mais um daqueles momentos. Quis ser o que se ouve depois, quando o bolo — copiado da fotografia do casamento de 1976 — chega à mesa e ninguém sabe bem o que dizer. A canção diz por eles.

A canção do exemplo, aqui em cima, saiu de um briefing parecido: poucas linhas, um casal, um dia marcado. Ouve-a a pensar nos teus pais e vais perceber o tamanho certo de um destes pedidos.

Songive ao lado de outras opções

Antes da tabela, uma palavra sobre cada caminho. Um serviço como o Songfinch faz-te uma canção original a partir de um formulário, em inglês. O Suno dá-te controlo e velocidade se fores tu a mexer nas ferramentas e no idioma. Um DJ ou músico no almoço toca uma versão de uma canção que já existe. E há sempre a carta escrita à mão, que ninguém canta mas que se guarda. A Songive fica entre a canção original e a facilidade: escreves o briefing em português, recebes a letra para aprovares e a canção acabada, com o nome deles lá dentro, em pouco tempo.

Opção Feita de raiz para eles Em português Nomes e história na letra Pronta a tempo
Songive Sim Sim Sim Sim, em dias
Songfinch Sim Não Parcial Semanas
Suno (fazes tu) Sim Se fores tu Se fores tu Sim
Versão tocada ao vivo Não Depende Não No dia
Carta à mão Sim Sim Sim, mas não se canta Sim

Se estás a comparar serviços com calma, vê também as nossas alternativas ao Songfinch e o texto sobre os melhores serviços de canções personalizadas. Podes começar o teu próprio briefing na página de criação quando quiseres.

O que pôr na caixa «sobre eles»

  1. Onde e quando começou. A igreja, a aldeia, o ano. «Casaram na igreja de São Bento, em Setembro de 1975, com a lavoura já feita.» Uma linha assim dá-nos o primeiro verso e o cheiro do sítio.
  2. O que os pôs à prova. Os anos fora, a doença, o negócio que quase fechou. «Estiveram doze anos na Suíça antes de voltarem» diz-nos onde vive a força do casal, e é aí que a canção ganha peso.
  3. Como se tratam um ao outro. As alcunhas, quem manda, quem faz rir. «Ele chama-lhe patroa e ela finge que não gosta» vale mais do que dizer que se amam. Mostra, não conta.
  4. Onde a canção vai tocar. Missa, almoço, renovação de votos, ou tudo. «Depois do bolo, antes do café» ajuda-nos a acertar o tom, a duração e o momento exato para que ninguém fale por cima.

Perguntas frequentes

Quanto tempo antes das bodas de ouro devo encomendar a canção?

Uma a duas semanas antes chega bem, mas a canção acabada costuma estar pronta em poucos dias. Encomendar com folga dá-te tempo para ler a letra com calma e pedir um ajuste, caso queiras trocar um nome ou acrescentar um pormenor da história dos teus pais.

E se os meus irmãos e eu não concordarmos no que contar?

Manda tudo, mesmo que se repita ou se contradiga. Nós lemos o conjunto e escolhemos o que faz canção. Muitas vezes é a versão de um dos irmãos, contada de outra maneira por outro, que nos mostra o que aconteceu de verdade e o que fica só na letra.

A canção pode tocar na missa de bodas?

Sim, e diz-nos isso no briefing. Uma canção para a missa e para a renovação de votos pede um andamento mais contido do que uma para o almoço. Se souberes onde vai tocar, acertamos o tom e a duração para que caiba no momento certo.

Preciso de escrever versos ou letra?

Não. Só precisas de descrever os teus pais em algumas frases: onde se casaram, o que atravessaram juntos, como se tratam. A letra e a canção fazemo-las nós a partir daí, e mostramos-te a letra antes de a gravar.

Posso pedir a canção em português de Portugal?

Sim, escreves o briefing em português e recebes a canção em português de Portugal. É o que faz sentido para uma celebração de família com toda a gente à mesa, do neto mais novo aos padrinhos do casamento de há cinquenta anos.